Com as as tops Rachel Zimmermann e Isabeli Fontana como estrelas e com inspiração em “Metrópolis” de Fritz Lang, o desfile da Animale veio cheio de um futurismo primitivo, um ar de ficção científica, traduzido pelas nas roldanas do cenário (reproduzidas nas estampas dos vestidos) e na estética punk, meio “mulher biônica”.  Nas peças, apliques de rebites, como se fossem espinhos, nas mangas e costuras, tachas de acrílico e feltro desgastado.

 A Animale vem investindo fortemente em pesquisa tecnológica na busca de tecidos diferentes, além de recortes, estampas e enfeites, tudo para ressaltar a imagem de mulher poderosa que sua cliente busca. Só que o resultado é, novamente, de uma moda pesadona – que até é ok nesse inverno, mas já cansou, a Animale vem apresentando essa pegada meio dark há várias coleções.  Além do fato de que esses tecidos nem sempre se dão bem com a modelagem das roupas.

A lã tem acabamento feltrado, com cara de desgastado. Aliás, as texturas são altamente exploradas. A modelagem das peças varia entre justos e amplos, tudo com muitos recortes, fendas e corpo marcado, seja pelo desenho da peça, seja pelo uso de cintos. Há vestidos e shorts são curtos, coletes mais compridos e calças, skinny. Tudo acompanhado por ankle boots superaltas.

A cartela de cores vem com azul e rosa claro, vermelho e vinho.

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A 2nd Floor, da estilista Adriana Bozon, escoltada pela stylist Letícia Toniazzo, foi buscar inspiração no universo de Sherlock Holmes para montar o desfile da coleção outono-inverno 2010. Usou como cenário uma biblioteca com a paisagem uma floresta em pleno outono ao fundo e deu ares de trench-coat  aos casacos, capas, jaquetas e vestidos, remetendo à peça que ficou famosa com o detetive inglês. De quebra, entrou no clima de revival do filme, desta vez com Robert Downey Jr.

Mostrou uma moda de estilo casual, com muito jeans e malha, incluindo calça legging longa (para moças e rapazes, diga-se de passagem, só que para eles um pouco mais largas!). Usou estampas temáticas, como corujas, cachimbos e armas, além de colocar animais nas cabeças dos modelos, como se fossem chapéus. Tudo era bem larguinho, desde shorts, até calças e saias. E a cartela de cores ia do cinza ao preto, incluindo jeans (bem escuro, às vezes manchado, às vezes estampado).

 Viu-se o trenchcoat reconstruído em forma de vestidos, casacos (os mais charmosos eram os mini-trenchs) e pelerines; também tricô (em ponto bem largo), abrigos de moletom e casacos de lã. No feminino, o destaque para os vestidos curtinhos, em tecidos leves ou mais encorpados, como a lã; para o masculino, o destaque fica para as camisas e as calças largas e com pregas.

E, seguindo a tendência européia, para a 2nd Floor as botas de cano curto podem (e devem) ser usadas com meias soquetes.

Clô Orozco, diretora de criação, e Sarah Kawasaki, a estilista, trouxeram para as passarelas um desfile precioso, uma verdadeira jóia, de onde as mulheres realmente chics têm motivo de sobra para tirar os looks que irão preencher seus closets neste inverno. Como ponto de partida, o balanço do corpo da mulher, com franjas que acompanham o movimento do corpo, com volumes elegantes, drapeados e lindas mangas cheias de recortes.

 A dupla usou apenas tecidos de primeira linha, e colocou pedras, peles, pelúcias e transparências de maneira elegante, assim como os recortes que fez em algumas peças. Não há nada de vulgar, há um clima retrô, mas a coleção é para mulheres contemporâneas que não querem se vestir como menininhas, mas querem ser atuais!

Por isso as mulheres da Huis Clos usam turbantes, vestidos na altura do joelho com mangas e golas estruturadas; os decotes são pronunciados, mas clássicos; as trasparências são estratégicas. Os mantôs, também com comprimento no joelho, têm costuras aparente. Os tops têm cavas amplas e franjas. Há, ainda, saias-lápis com zíperes enfeitando e dando acabamento, assim como também enfeitam peles, bordados, paetês e galões de renda.

 Um desfile lindo, de peças lindas e usáveis, que devem fazer o maior sucesso nas lojas. Não é à toa que Clô adora criar para o inverno…

Esse foi certamente o melhor desfile da dupla Carô Gold e Pity Taliani, estilistas da Amapô, desde que entraram para a SPFW, usando uma mistura de vários estilos para criar sua coleção, que veio divertida, cheia de looks meio “absurdos”, mas com muitos bons looks em alfaiataria. A inspiração também foi inusitada: moradores de rua. Daí as misturas de colar de pérolas com casacos sujos, amassados e rasgados, só como exemplo. Para completar, o cenário e a trilha sonora eram fortes e marcantes, além da belíssima Fernanda Lima abrindo o desfile…

 Fernanda abriu o desfile usando um vestido jeans “em tiras” unidas por zíperes, dando a idéia de farrapos, o que se repetiu em casacos, calças e saias. Em algumas peças, o zíper ficava aberto em alguns pontos, criando um recorte ao look, num jogo sexy de abrir e fechar.

 Uma das estampas principais foi a de jornal, dando a idéia de mendigos enrolados, além do xadrez em um tecido amassado e cheio de volume em uma saia e em um paletó. Havia peças criadas a partir do moulage, uma bota foi alargada, mostrando conforto, várias combinações (misturas, mesmo, a bem da verdade!) de estampas, em que listras vão bem com xadrez.

E quando tudo dá certo, o desfile fica ainda gostoso de assistir. Era tudo super atual, tinha a cara da grife… O cabelo, o sapato, as cores. Tudo tinha ar de atualidade, com a identidade que a marca criou para ela mesma. E o público amou, aplaudiu e se divertiu 

AMAPO

Erika Ikezili buscou inspiração no mundo das artes plásticas para criar sua coleção outono-inverno 2010, mais precisamente na suíça Mira Schendel, no japonês  Kumi Yamashita e no belga Fred Eerdekens, buscando em cada um desses artistas uma referência. A coleção foi simpática, com boas estampas, marcada por uma  silhueta anos 20.

Os blusões e vestidos da primeira série apresentada são decorrentes do conceito das linhas buscados em Eerdekens; no jogo de formas de Yamashita encontra base para o grafismo, que se mostra presente na estamparia, além da modelagem das peças (vide os recortes das mangas e as blusas que parecem feitas de pétalas de flores).  Finalmente, de Mira Schendel usa a tipografia, aplicadas sobre as peças.

A coleção veio muito suave, com vestidos muito femininos e delicados; as calças eram de cintura alta, justas e curtas, combinadas com ankle boots; mostrou tops (com mangas trabalhadas, cheias de volumes); além dos macacões de malha fluidos. 

 A cartela de cores veio em tons rosados misturados ao preto e cinza, destacando-se o bom uso do vinho. E os tecidos são primordialmente gaze artesanal, seda, lã e algodão.

 A trilha sonora era meio “futurista”, o cenário e a passarela imitavam um teto solar, tudo para entrar no clima do tema escolhido, o uso consciente de energia e moda. Foi assim, com roupas em tons metálicos (prata, branco, rosa e dourado), que Glória Coelho apresentou sua coleção outono-inverno 2010. Os looks, em sua maioria, foram criados com tiras aplicadas sobre organza transparente, além do uso das plumas que apareceram em casacões, que podem ser usados como vestidos.

Entraram na passarela bonitas jaquetas e saias de zibeline e cetim, que misturavam o esportivo em looks mais formais, depois as construções de fitas, para então passar aos vestidos em pregas de cetim e, finalmente, os looks em plumas (verdadeiras ou recortadas em organza), tudo em cores que iam do off white, passando por um tom esmaecido, até chegar ao rosé.

Destaque para a composição dos looks, sempre acompanhados de meias finas claras que tinham um fio atrás e na frente, além das golas em espirais. E boa aposta é o belo casaco de plumas, um belo substituto aos casacos de pele…

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