Como havíamos comentado anteriormente, os anos 20 estão no foco dos desfiles de Milão, inspirando vários criadores… O período era de fartura e opulência, e as mulheres esbanjavam seu charme em vestidos de silhueta solta, mas cheios de franjas e plissados.

As franjas apareceram exaustivamente (quem se lembra do Fashion Rio? Lá já tinha, e muito!!), os fios de seda balançando por toda a passarela, bem ao estilo “melindrosa”, nada discretas! A Gucci, a Etro e a Missoni, por exemplo, foram algumas das grifes que apostaram na tendência.

Os plissados – que continuam por mais uma temporada, apareceram lindamente na passarela da Prada, que usou o recurso em duas versões: na seda e no couro!! A Prada, aliás, mestre em lançar tendências, resgatou barrigas de fora do seu verão 2008, que foram um sucesso. Dessa vez os bustiês são mais largos, e o umbigo continua devidamente coberto pelas saias de cintura alta – a tendência exige cuidado para não ficar vulgar.

Foi nas passarelas da Prada e da Gucci que o verão europeu começou a definir seu “jeitão”… As duas partiram de referências da cultura norte-americana para montar suas coleções, calcadas em épocas em que a fartura e o otimismo imperavam.

A Gucci foi buscar inspiração na década de 1920, mais precisamente no “The Great Gatsby”, de Scott Fitzgerald. Aliás, a casa italiana nasceu em 1921, e comemora nos próximos dias seus 90 anos em Florença, com a abertura do Museu Gucci. A estilista Frida Giannini abusou do dourado e dos bordados para representar a fartura e opulência do período.

Já a Prada se pautou no Thunderbird, carro lançado nos Eua em 1955. Chamas “sobem” pelas saias e blusas, queimam e viram microtops. Mas a há uma obsessão em Milão: os vegetais! Dolce & Gabbana tinha beterrabas, pepinos, pimentas; a Moschino Cheap & Chic se inspirou em maçãs e uvas

Milão tem sido palco de festa e de despedidas: a D&G fez seu último desfile – a grife não existirá mais – e a abertura da exposição “The Art of Fashion”, no Museu Triennale, em homenagem a Marc Jacobs, colocou a Louis Vuitton em evidência. Há boatos de que Marc Jacbs deixará a Louis Vuitton para assumir a direção criativa da Dior…

A semana de moda da Milão terá um acontecimento concomitante aos desfiles: uma restrospectiva do trabalho de Marc Jacobs na Louis Vuitton. Jacobs está na grife desde 1998, quando deixou a Dior, mas há rumores de que o estilista estaria deixando a LV. Segundo o site The Daily, Bernard Arnault, presidente do conglomerado LVMH, estaria tirando Marc da Louis Vuitton para colocá-lo Dior, já que as duas grifes pertencem ao grupo. O cargo de diretor criativo da Dior está vago desde a demissão de John Galliano, em março.

Bem, a mostra terá curadoria da stylist Katie Grand, e contará com peças de mais de 70 coleções sob a coordenação de Marc. A exposição, que terá início em 22 de setembro, casa com a rebertura a loja da grife na Via Montenapoleone (que será em 21/09).

Parece que todas as semanas de moda da primavera-verão 2011 queriam chegar num mesmo ponto: Yves Saint Laurent, que foi homenageado com uma exposição retrospectiva (terminou em agosto) e um documentário. Todas elas, de Nova York, com Marc Jacobs, passando por Milão, até chegar em Paris, pareciam ter o mesmo clima, o mesmo tom…

Após uma temporada de outono-inverno 2010/11, pautada na moda dos anos 50, cheia de romantismo (o retorno do ladylike!), vimos as coleções de primavera-verão 2011 serem dominadas por uma certa androginia, como as musas da Givenchy e os misteriosos modelos de Tom Ford (por enquanto só visto nos croquis pelos “simples mortais”). E, claro, tudo parecendo levar à Yves Saint Laurant e o clima 70’s que pautou grande parte das coleções. As passarelas, então, trouxeram itens do vestuário masculino, a imagem da mulher sedutora porém andrógina.

Um exemplo é o terninho, criado por Yves, em 1971, e que depois se transformou e teve um sem número de releituras feitas por ele mesmo. Nessa temporada, vimos o smoking nas passarelas de Balenciaga e Givenchy. Outro exemplo está nas transparências, sempre em tons escuros, arma de sedução velada feminina!

Aliás, falando nas cores escuras, ele, o preto, continua imbativel, e retoma seu posto após várias temporadas repletas dos tons nude, pastel e outros clarinhos. Mas esse preto… é “o” preto, salpicado de cor, ou com transparência e brilho. Também foi o revival da saharienne, egressa da coleção safári de Yves Saint Laurent, como mostrou Marc Jacobs em seu desfile “so 70’s”.

Foi uma temporada de ombros e pernas à mostra, com muita frente-única e fenda, nesse jogo de sedução velada, comme il faut. Uma sensualidade chique, que pressupõe uma mulher elegante, que sabe de onde veio e onde quer chegar. E as plumas… ah, as plumas de Laurent, pitada de romantismo resgatada por Chanel e – quem diria – Alexander McQueen. E vimos os comprimentos longos dos anos 70, em peças cheias de movimento, com “aquelas” fendas do jogo de mostra-esconde…

As cores, além “do” preto, são vivas, indo do pink, ao verde, laranja, roxo, em tons mais escuros e opacos, tais como desfilados por Paloma Picasso e Gucci. Para completar o look, um bonito olho escuro esfumado, cabelos presos e bocão, pintado de vinho bem fechado!

A Semana de Moda de Milão foi dominada por protestos contra a editora da Vogue USA, Anna Wintour, que pediu às principais marcas para concentrarem seus desfiles em três dias! A controvérsia não saiu dos jornais e houve até um protesto contra a editora na entrada do desfile da Gucci.

Foram mais de 70 desfiles nos seis dias da temporada outono-inverno 2010/11, com muita sofisticação e técnicas elaboradas, embora sem mostrar uma moda contemporânea e atual. Destaque para as grifes Jil Sander, Marni e Missoni, que se afastaram do lugar comum e trouxeram frescor ao evento: Jil Sander chamou atenção para a alfaiataria, Marni mostrou silhuetas ousadas e estamparia e a Missoni, cheia de emoção, fez um tributo ao tricô.

O que se viu em quase todos os desfiles foi a imagem de uma mulher determinada, muito segura de si! Muitas roupas com elementos militares, muito tricô, couro utilizado em diversas maneiras versáteis… A silhueta chamou atenção para os ombros, golas e seios, com a valorização do busto. A cartela de cores trouxe tons pastéis, preto, cinza e variações de marrom, complementados com “pinceladas” de rosa, vermelho e branco para iluminar as coleções. E muito muito brilho para Armani…

Jil Sander

Missoni

Marni

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