Quando acabou o Fashion Rio, eu fiquei com a impressão de que esse inverno seria bem “chato” em termos de moda. Como comentamos, foram muitas coisas iguais, muitas “inspirações” na moda do Hemisfério Norte (e dá-lhe Balenciaga, Lanvin, Givenchy e Dolce & Gabana), ficou a sensação de que viria mais um marasmo fashion pela frente. Felizmente o desfecho da São Paulo Fashion Week foi diferente: restaram várias propostas, várias idéias, vários caminhos…

Com tanta coisa, o que se pode fazer é um “levantamento” do que provavelmente estará nas ruas, daquilo que as lojas colocarão nas prateleiras para nós, consumidores, escolhermos como será o nosso inverno e quais os rumos devemos seguir. Claro que sempre com consciência do que veste corretamente nossa silhueta, do que é apropriado ou não para nosso tipo físico, nossa idade, profissão, vida social…

O que eu apontaria:

Este será um inverno “enfeitado”. As passarelas foram invadidas por pedrarias, peles e franjas, em diferentes estilos, em diversos tipos de peças. Apareceu muito metal, sob a forma de tachas e ilhoses, além dos zíperes (muito mais como enfeite do que propriamente funcional) e muito brilho, sob a forma de maxipaetês, paetês, lurex, lamê. Detalhes em couro também estiveram presentes.

Alexandre Herchcovitch: pedraria

Animale: tachas

Huis Clos: franjas

Huis Clos: pele

Maria Garcia: lamê

Rosa Chá: zíper

A sensualidade será uma constante, evidenciada pelas transparências e pelas peças com pegada de lingerie, além dos mil decotes, recortes e comprimento (mínimo!!!) das roupas.

Simone Nunes: transparência

Samuel Cirnansk: lingerie

Em termos de cores, será um inverno com muito preto, mas ele pode vir acompanhado por “pinceladas” de cores vivas, em especial amarelo e vermelho. Além do preto, a cartela veio recheada de cores neutras priorizando o off white, os beges, os cáquis e o verde-musgo (influência do militarismo vigente). Não poderia faltar o cinza, cor que é a cara do inverno, em nuances que vão do claro ao super escuro, muito bem acompanhadas dos tons diversos tons rosados. Finalmente, marcaram presença o azul e o roxo.

Osklen: off white

Reinaldo Lourenço: verde militar

Forum Tufi Duek: cinza

Maria Bonita: preto

Fabia Bercsek: rosados

 

Wilson Ranieri: vermelho

Para os tecidos, materiais e padronagens, foi a invasão dos sintéticos, como o neoprene (apareceu diversas vezes) e o cirê. Mas a grande aposta veio com o feltro, trabalhado por diversas grifes, que alcançaram resultados diferentes e agradáveis, apesar de ser um material tão estruturado. No outro extremo, para as peças mais leves e com movimento, o cetim foi a vedete, explorado em vestidos e tops principalmente.

Forum Tufi Duek: neoprene

Wilson Ranieri: cirê

Osklen: feltro

Isabela Capeto: xadrez

Glória Coelho: cetim

Jefferson Kulig: detalhes em couro

Tal qual os desfiles cariocas da temporada, o tricô foi onipresente, mas aqui quase sempre gigante, em pontos enormes. E os xadrezes também reinaram entre as padronagens, seja o tartã pied-de-coq.

Maria Garcia: tricô

Será um inverno de construções (e desconstruções), em formas arquiteturais, tendo nos ombros a grande aposta. Quadris em evidência e barras e assimétricas completam as formas.

Priscilla Darolt: arquitetura

Amapô: ombros em evidência

Lino Villaventura: quadris em destaque

Alexandre Herchcovitch: barras assimétricas

E para coroar a democracia, as peças mais presentes nos desfiles, que devem fazer sucesso na “vida real”… principalmente porque as possibilidades são tantas que dificilmente alguém não se encaixará em alguma das propostas!

 1.Indiscutivelmente será um inverno cheio de vestidos. Podem ser mais ajustados ou larguinhos, em comprimentos que vão do muito curto ao longo, com saias arredondadas ou godês. Podem ser estruturados ou tipo moulage, drapeados, com detalhes de babados ou plissados. O mesmo vale para as saias.

André Lima

Erika Ikezili

Colcci

2. As calças vieram um pouco mais curtas, mas podem ser justas ou larguinhas. As leggings são presença quase obrigatória, como peça principal ou no lugar das meias (essas, aliás, muito mais que coadjuvantes, podem ser estampadas, trabalhadas com costuras, tipo arrastão…).

Cavalera

Iodice

Carlota Joakina

3. Para aquecer, as opções são os muitos paletós (ajustados na cintura), jaquetas mais curtinhas e mantôs (em diferentes formatos).

Ellus

Simone Nunes

Forum Tufi Duek

4. Os macacões também apareceram bastante, também em diferentes materias, estilos, cortes, formas…

Maria Garcia

5. O jeans não poderia deixar de marcar presença. E apareceu muito, em azul ou preto, bruto ou com lavagens especiais, em qualquer peça (jaquetas, parkas, saias, shorts, calças).

Colcci

6. Nos pés, muitos abandonaram os saltos, seja em forma de sapatilhas, tênis ou flat boots. Mas, sem nenhuma dúvida, o item must have da estação são as ankle boots, mas essas sempre de salto alto.

Samuel Cirnansck

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Não gosto muito de falar em tendêcia, parece que ficamos um pouco na obrigação de seguir aqueles passos, tira um pouco a cara democrática da moda atual. Mas há sim alguns looks da São Paulo Fashion Week que foram mais marcantes e apareceram mais vezes. Mas os desfiles da Neon são sempre um capítulo à parte quando se trata de maquiagem –  e de um look para causar impacto…

Dessa vez o destaque ficou para os batons: nada de boca apagadinha, a Neon gosta de boca colorida, cheia de personalidade. E o mesmo aconteceu com as sombrancelhas, que apareceram, na maioria dos desfiles desta edição do SPFW, descoloridas e apagadas, mas vieram bem bem marcadas e com destaque (com traçado feito com lápis, bem quarentinha!) na maquiagem da Neon, de autoria de Lau Neves.

Segundo divulgado, os batons usados pelas modelos na passarela foram cinco, todos eles da MAC:

1. Rebel (beringela),

2. Diva (magenta),

3. Media (roxo),

4. MAC Red (vermelho), e

5. Lipmix Style Black (preto).

Ah, e os cabelos, cheio de ondas bem feitas, também seguiam a tendência dos anos 40. Simplesmente chic!!!

 

André Lima encerrou o São Paulo Fashion Week  com um desfile colorido, gráfico, cheio de vestidos supercurtos, bons para um inverno tropical como é o nosso.

Há uma diversidade de grafismos, desde as estampas e combinação de cores, até os recortes dos decotes e nas barras das peças. A modelagem das peças brinca com as  golas e as mangas; as saias dos vestidos são cheias de babados. A cartela de cores é rica, com um bonito verde cítrico, além de azul royal, branco, preto, vermelho e prata. 

André propõe vestidos curtíssimos, sejam eles tomara-que-caia ou de um ombro-só, sejam com mangas volumosas, com drapeados, laços e franzidos; propõe, também, bonitos longos, cheios de babados e ajustados ao corpo. Mostrou calças justas e com bolsos estruturados.

Como sempre, a roupa de André Lima é bem feita, de acabamento e caimento perfeitos. Ainda que essa coleção não tenha sido exatamente um exemplo de inovação do estilista, continua sendo a referência brasileira para roupas de festa.

A grife Do Estilista, de Marcelo Sommer, trouxe como tema  tema o anarco-privitivismo, movimento que prega justamente o fim do consumismo e a desindustrialização. Trouxe para desfilar seus amigos – inclusive estilistas do SPFW, sempre cabisbaixos, olhar perdido e sem maquiagem.

As roupas e tecidos são reaproveitadas de antigas coleções de Marcelo: no feminino, os vestidos de sempre, com barra na altura das canelas, meio retrô, assim como o xadrez e as saias volumosas. Elas usam look masculino e saias com tule, babados, e apliques de corda. No masculino, calças com modelagem ajustada, usada com paletó ou mantô.

As cores são preto e cinza, com alguns brilhos (saias com paetês dourados, por exemplo), em tecidos com textura de desgastados ou amassados. Nos pés, boots vermelhas (tipo Doc Martins) + polainas, tanto no masculino como no feminino. A corda é  um dos símbolos da coleção e aparece como detalhes em casacos, além de ser usada como colar (lembrando uma forca!).

Marcelo Sommer mostra que precisamos nos descontentar. Mas que há alguma esperança, mesmo que no último dos momentos. Destaque para o o vestido verde de Luciana Curtis, grávida, como que simbolizando a esperança, em um desfile sombrio e de tema pesado.

Muitos aplausos. Assim foi o desfile da Reserva, de Rony Meisler, no último dia de São Paulo Fashion Week. Sucedendo o papel que foi de Fernanda Young na última ediçao, Felipe Andreoli, repórter do CQC, leu um texto sobre os 15 minutos de fama, tema do desfile. Na trilha, assinada por Jackson Araújo, a música da inglesa Susan Boyle, “I dreamed a dream”, além de “A melhor banda de todos os tempos da última semana”, do Titãs.

Para desfilar, os modelos levavam de espelhos a etiquetas e códigos de barra como acessório. Usavam, ainda, óculos de grau enormes, suspensórios, gravatas borboleta e cabelo dividido para o lado.

Mostrou calças e bermudas bem justas (em jeans e alfaiataria) com debruns brancos, acrescidas de botas de couro de cano baixo (desenvolvidas pela Sebago) e usadas com meias de tricô. Trouxe casaco de moletom e legging estampada, usada para dentro das botas. Apresentou camisas e tricôs (com tinta preta ou metálica).

As cores usadas pela grife foram preto, marrom, cinza, roxo e verde, além da estampa camuflada do exército em tom rosado; os tecidos escolhidos eram todos resinados e reflexivos. Há muito xadrez e boas estampas opticas.

Essa foi a primeira coleção com assinatura de Camila Bertolote, que já era da equipe de criação da marca, para a Carlota Joakina. E ela veio bem, trazendo como inspiração o tema “a arquitetura das flores”, traduzido em estampas florais, bordados imitando rosas e diversos babados.

Mostrou roupas com formas mais secas, com muitas leggings, jaquetas e vestidos, numa coleção mais adulta que as anteriores, porém super feminina. A cartela de cores trazia muito preto, cinza, off-white, nude e azul petróleo. Para os detalhes, foram selecionados zíperes pretos; para os tecidos, a selção incluiu seda, chiffon, tricô, tule e malha.

Há vestidos de festa na cor nude, com detalhes em tecido que lembram as pétalas das flores; há vestidos tomara-que-caia e de alcinha de seda, nada muito curto; há modelos transparentes e mais soltos, usados com shortinhos sob eles.

Nos pés, mostrou botas curtas de camurça de cano baixo, quase rasteiras, usadas com meias de tricô (como soquete ou até o joelho). Outra peça imprescindível para a coleção é a meia-calça, que para a grife deve ser estampada com desenhos de galhos de árvores secas.

 

Isabela Capeto abriu o último dia de desfiles da edição Outono Inverno 2010 da São Paulo Fashion Week, com desfile no Shopping Iguatemi. Como inspiração, filtros. Sim, o mote era o de que, num mundo cheio de informações, é preciso filtrar.

Para traduzir esses filtros, Isabela, em cenário concebido por Alberto Renault, usa os detalhes que tanto aprecia colocar em suas criações: são canutilhos, miçangas, argolas de metal e fitas de veludo. São muitas cores, adicionadas ao preto e inseridas nas estampas, que trazem coisas do dia-a-dia (filtros de café), coisas da natureza (teia de aranha), além de outras coisas mais abstratas (sonhos).

Sua coleção, como de costume, privilegia vestidos e saias. Mas, dessa vez, ela abandonou aquele comprimento “longuete” (que não  favorece nem jovens nem mulheres mais maduras, além de achatarem a silhueta!!), adotando comprimentos acima do joelho. E aí as modelagens se revelam em seda e viscose, com detalhes em veludo (há corte A, túnicas, os fluidos), há saias pregueadas, envelope e com babados. Há tops fluidos, cheios de detalhes, por vezes com transparência e cardigãs bordados.  Para as calças, criou modelagens que ou são largas e curtas, ou mais ajustadas. Para as cores, usou o preto (sempre com detalhes coloridos ou com), marinho, chocolate, rosa, amarelo e vermelho. 

Destaque para o lindíssimo macacão de flanela xadrez, além do uso da meia colorida com sapato de tressê e cadarço. Finalmente, ressaltam-se os cabelos, lindos com as fitas trançadas e o uso das milhares de bijoux.

Lino Villaventura mostrou na passarela exatamente aquilo que já estamos habituados a ver: elegância, modernidade e ousadia, mostrando seus bordados e patchworks, tudo sempre cheio de detalhes. Trabalhou com os tecidos que gosta – seda, organza, gaze e neles bordou, torceu, nervurou! E então esses tecidos surgem como que jogados e enrolados ao corpo, em roupas que fizeram bonito nas passarelas e, melhor ainda, serão fáceis de usar fora delas.

Sua coleção masculina mostrou ousadia ao combinar estampa de onça com listrado e ao acinturar e ajustar coloridos ternos.  Sua calça social não guarda nada de tradicional: tem volume, cintura alta e vem acompanhada de suspensórios!

Já para as mulheres, trouxe coloridas calças de lycra – roxo, verde-água e vermelho são algumas das cores, que tamém compõe a cartela de cores ao lado do preto, chocolate, açaí e amarelo.

A modelagem das roupas destacou a assimetria das formas, em vestidos e casacos que tinham as mangas bufantes. Apresentou bonitos tailleurs, com paletós acinturados e saia na altura do  joelho, em matelassé, muito chics e elegantes. Também para festas, mostrou vestidos curtos, de pegada mais jovem e sensual.

Wilson Ranieri mostrou nas passarelas uma mulher comportada – e muito confortável. Não há nada decotado demais ou curto demais, as formas são amplas, há pouca transparência, poucos recortes… até os saltos são baixos e não muito finos!

Trouxe uma moda mais comercial, pouco conceitual dessa vez, nada muito diferente do que estará nas lojas. Apresentou uma coleção com cartela de cores com tons de rosa (cor recorrente em suas coleções), cinza, marrom, preto e vermelho, em tecidos que iam da leveza da seda, cetim e cirê (estes dois últimos bem molinhos), passando pela malha até chegar no tweed de lã. Algumas peças tinham detalhes em pele (apenas um top-casaqueto era completamente feito do material).

Mostrou calças amplas (maxi!!!), saias e vestidos na altura do joelho e um macacão com cauda, que começava na cintura e descia até os pés (parecia uma saia). Destaque para a manga morcego, há tanto tempo longe das passarelas, que voltou com força na coleção da grife.

 

A Neon, de Dudu Bertholini e Rita Comparato, trouxe o colorido e o bom humor característicos da grife às passarelas, mostrando uma coleção inspirada na caça, onde houve lugar inclusive para looks caricatos (meio carnavalescos), imitando bichos – tucano, elefante, morcego. Pode-se dizer que levantou os ânimos, mas, como sempre, nem tudo dá tão certo.

No início do desfile, surgiram na passarela caçadoras de bodies inteiriços, justos e sexies, casacos amplos e saia-lápis. As blusas de seda vinham acompanhadas de calças de alfaiataria (em cintura alta, ora justas estilo montaria, ora pantacourts, ora em cintura alta com pregas) e botas altas por fora; os vestidos eram curtos (mas não tanto), inclusive vestidos-mantôs e ponchos em diversas cores. Bonitos os casacos artesanais (em Mola, trabalho típico dos indios panamenhos, que unem tecidos coloridos que formam desenhos, realmente lindos).

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