As “sombras” rondaram a semana de moda de Paris… Galliano falando demais e sendo demitido e Christophe Decarnin (Balmain) entre boatos sobre sua internação em uma clínica psiquiátrica… e então o show de terror que Marc Jacobs criou para a Louis Vuitton – em continuação ao desfile pesado de sua própria grife em NY -, o desfile “apocalíptico” da Chanel…

O desfile da Louis Vuitton foi lindo – roupas em couro, pele e vinil, desfiladas pelas modelos que desciam em um elevador para um evento no “Hotel Vuitton”. Os looks traziam um certo clichê de sex shop, unindo um certo sadomasoquismo ao militarismo, como na aparição da modelo “prisioneira de guerra”, vestindo uma mortalha branca e algemas de ouro! Entre as tops, as veteranas Naomi Campbell e Kate Moss, que encerrou o show fumando como quem acabou de encerrar um ato sexual…

A Hermès, por sua vez, traz “nômades”, em looks étnicos; Stella McCartney mostrou casulos negros, vestidos colantes com pedaços de pele; Givenchy e suas panteras negras presas em jaulas; Balenciaga e suas flores encarceradas!!

E Chanel… Lagerfeld idealizou um cenário onde pedras fumegantes davam um ar de “tragédia natural”, onde os clássicos Chanel, dos tweeds aos vestidos com transparências eram mostrados ao som de “The Forest” (The Cure). Enfim, nem as notícias, nem o drama ou os diversos rumores conseguiram ofuscar a mais importante das semanas de moda internacionais!!

“O mundo é um lugar escuro”, reconheceu Karl Lagerfeld após o último desfile da Chanel, em meio a ambientação vulcânica, com fumaça e lava. As roupas tinham a “aparência” de terem resistido a uma catástrofe natural (erupção vulcânica?)…

A paleta de cores sombria esteve por toda a coleção, que tinha peças com corte ligeiramente masculinizado, com ombros arredondados. Até mesmo os looks mais femininos pareciam ter sido “danificados”, como a linda saia de chiffon desfiado. As túnicas e  capas tinham um toque “neo-medieval”, como em um conto de fadas “grunge”, bem ao gosto de Lagerfeld! Depois, o desfile entoou um estilo gótico, em roupas de noite em renda preta.

Além do cenário fascinante, Lagerfeld parece ter previsto a forma como as jovens mulheres querem vestir-se agora, misturando o que se usa na rua com a fantasia da alta costura, na medida para um resultado rico – e estranho!

Quando anunciaram a ida de Christophe Lemaire para a Hermès muitos questionaram como ele conseguiria trocar as camisas pólo da Lacoste por um trabalho mais… suntuoso, no mínimo!! Mas suas primeira coleção para a Hermès não decepcionou ao assumir o posto deixado por Jean Paul Gaultier na última temporada,  e parece ter conquistado a platéia e a imprensa internacional, que se deliciou com a pegada oriental de sua coleção, refletida em sobretudos, mantôs e capas brancos, além das tradicionais peças em couro da grife. Estampas gráficas e cores  como laranja, amarelo e verde água estavam presentes em looks completos.

Algumas modelos carregavam bolsas tão chiques – e tão sérias – que é pouco provável que consiga substituir a a Birkin no coração dos aficcionados pela Hermès em todo o mundo.

Nesta temporada Pedro Lourenço mostrou uma coleção muito mais comercial – ou “usável”, como ele prefere dizer.

Continuou usando o couro – material sobre o qual tem pleno domínio – principalmente em calças super bem cortadas, mas aliou-o a peças feitas com pele, combinadas a transparências (os contrastes de peso, como vimos muito aqui no Brasil). Chamaram a atenção os sapatos e botas brancos (todos desenhados por Alexandre Birman), que apareceram também nas passarelas da Balmain e Isabel Marant, além dos vestidos de mangas longas, calças skinny e tops de malha. A cartela de cores trazia branco, preto, nude e cores cores vivas, como amarelo, vermelho, azul e fúccia.

No twitter, os maiores comentários foram acerca da capa de iPad presa por um tipo de algema presa nos braços das modelos.

Nicolas Ghesquière, diretor criativo da Balenciaga,mostrou uma coleção bastante feminina neste inverno. Mais delicada, trouxe a mistura de espécies exóticas, flores coloridas e répteis, em cartela de cores vivas, como fúcsia, laranja, azul e verde.

As modelos vestiam saias de tecido fluído com estampa floral, acompanhadas dejaquetas de couro trançado bem pesadas, tudo levemente amplo e sem marcar o corpo.

Há sempre uma multidão em torno de um desfile de moda, mas a cena fora do Gymnase Japy por causa da primeira coleção de Nicola Formichetti para Thiery Mugler era mais parecido com a cena diante de um show da Lady Gaga, que desfilou duas vezes no evento. A trilha obviamente era da própria cantora, com a inédita “Government Hooker”, além dos singles “Scheiße” e “Born this Way”, do álbum homônimo que ela lança em maio.

A imprensa internacional se desmanchou em elogios…

Começou hoje a temporada mais aguardada por todos os fashionistas, a semana de moda de Paris edição inverno 2012. É lá que desfilam Chanel, Balenciaga, Louis Vuitton, Christian Dior, Yves Saint Laurent e Stella McCartney, entre outros nomes de peso, além de talentos mais jovens, como Isabel Marant e Zac Posen, que figuram entre os queridinhos da atualidade.

O único representante brasileiro, Pedro Lourenço participa pela terceira vez.

Pedro Lourenço, Inverno 2010/11

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