Entre neve e botas grifadas, começou ontem a Semana de Moda de Nova York, que abre o calendário das fashion weeks de Londres, Milão e Paris.

Um dos destaques será a comemoração dos 30 anos de carreira de Michael Kors, com desfile comemorativo e festas em homenagem ao estilista. Outro acontecimento importante é a inauguração da primeira loja em NY do atual queridinho das fashionistas locais, Alexander Wang, que fica no Soho (onde antes funcionava a loja do estilista japonês Yohji Yamamoto).

Nesta edição, três brasileiros participam do evento: além de Alexandre Herchcovitch e Carlos Miele, a novidade é o designer carioca Sobral, que faz lindas bijoux de resina e participará da mostra de acessórios, que acontece paralelamente aos desfiles.

Quem quiser ir acompanhar os desfiles, pode ver tudo pelo “The Cut“, blog da “NY Mag“!

A moda que vimos em Nova York na temporada do verão 2011 da fashion week americana, que terminou ontem, mostrando um perfume setentista, uma moda que exalta o estilo de vida da metrópole mais agitada dos Estados Unidos: a própria Nova York!

Quem deu o start foi Marc Jacobs, que exaltou o famoso clube Studio 54, criado em 1977, onde aconteceram festas memoráveis, lotadas pelas celebridades da época. Outras referências foram a atriz Jodie Foster, no filme “Taxi Driver” (1976), os roqueiros ultra-paramentados do New York Dolls e as criações de Yves Saint-Laurent, que brilhava na década de 70. Trouxe para a passarela vestidos esvoaçantes, macacões longos, além das cores dos anos 70, como marrom, roxo, laranja e vermelho, em desfile aberto pela modelo alemã Luisa Blanchin, o rosto mais comentado do momento.

Já as grifes Tommy Hilfinger e Lacoste mostraram o um estilo”esportivo-chique”, típico do Upper East Side: a primeira revisitando o “preppy” (estilo “mauricinho” americano!) e a segunda, bem setentinha, exaltou os looks de veraneio da época (trouxe até as trancinhas de Bo Derek no filme “A Mulher Nota 10”, de 1979). A Tommy, aliás, comemora seus 25 anos, sagrando-se uma das mais importantes representantes do estilo esportivo da moda dos EUA. Seu desfile esteve lotado de celebridades na primeira fila (Jennifer Lopex, Christina Hendricks e Ed Westwick, entre outros).

Jason Wu, estilista queridinho de Michele Obama, veio buscar inspiração no Brasil, mais precisamente na artista Beatriz Milhazes. E aí, enveredando pelo lado brasileiro, teve Carlos Miele, que animou seu desfile com trilha sonora ao vivo de Bebel Gilberto, e não desapontou suas fãs, mantendo seus modelos sexies e com detalhes feitos à mão, e também Alexandre Herchcovitch, novo queridinho de blogueiros como Bryan Boy, considerado um dos mais influentes da web.

Diane Von Furstemberg também exaltou os anos 70, em charmosa coleção, e Carolina Herrera mostrou muito luxo na passarela. Aliás, as coleções foram, em sua maioria, luxuosas interpretações da tendência setentista, bem como do esportivo de luxo…

É hoje a estréia do remake da novela Ti-ti-ti, da Rede Globo, que tem como núcleo principal o universo da moda, com estilistas e suas produções, agências de modelo, imprensa especializada. Quem assistiu à primeira versão vai poder rever personagens como os estilistas Jacques Leclair (interpretado agora por Alexandre Borges) e Ariclenes ou Victor Valentim (vivido por Murilo Benício).

O figurino da novela é um ponto de destaque, assinado pela figurinista Marília Carneiro. Já dá para apostar que muitos looks da novela vão virar mania nacional nos próximos meses. Na verdade, várias dessas apostas já estão sendo usadas- ou já foram até colocadas de lado pelos fashionistas: esmalte Blue Satin, da Chanel; bolsas Chanel; sapatos com saltos vertiginosos; peças na cor verde-militar (principalmente as usadas pela personagem de Guilhermina Guinle); e peças molengas e fluidas (dessa vez em Claudia Raia).

Logo no primeiro capítulo, haverá um desfile de Alexandre Herchcovitch, cheio de gente do mundo fashion na primeira fila.

Jaqueline (Claudia Raia), que usará looks de "perua", priorizando peças molengas e fluídas

Suzana Martins (Malu Mader): editora-chefe da principal revista de moda do país, a Moda Brasil.

Stela Villa (Mila Moreira): colunista de moda da revista Moda Brasil e personal stylist.

Luísa Salgado (Guilhermina Guinle): dona de uma agência de modelos

Alexandre Herchcovitch surpreendeu novamente na temporada. Para os que pensavam que depois da belíssima coleção feminina pouco restaria para o masculino, sinto muito, grande engano. Alexandre veio com uma coleção supersofisticada, inspirada no filme “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman(1957), marcando definitivamente sua entrada nas terras do luxo. Provavelmente essa migração se deve ao atual dono da grife Alexandre Herchcovitch, a Inbrands, que planeja abrir, em breve, lojas no Rio e no Shopping Iguatemi, em São Paulo. Talvez esse tenha sido o motivo da escolha do local do desfile, o shopping.

O desfile começou já causando impacto: em uma passarela de folhas outonais misturadas a caverinhas, os modelos entraram com rostos pintados numa maquiagem hiperrealista de caveira e de cabeça REALMENTE raspada, todos irreconhecíveis, e idênticos, encenando a caveira  que é tema recorrente no universo de Alexandre. O make foi criado pelo beauty artist Celso Kamura.; o som era One Hundred Years, do The Cure.

O foco era a perfeição na alfaiataria, e as peças são usadas sobrepostas,  com capas feitas de telas. Há assimetria (nas peças metade trenchcoat, metade poncho), há recortes (as costas ficam à mostra nos casacos!). Para os ternos, reservou estampas e para os casacos cangurus, o símbolo do xadrez (no filme era esse o jogo da morte). Há tricôs brilhantes, feito malhas de metal, em coletes e cangurus compridos. Os homens usam legging.

Há também calças legging (sim, novamente legging para eles!!), calças de jogging (feitas de tela, são usadas juntas com calças de alfaiataria, que são um pouco mais curtas). Tudo é acompanhado de tênis com cano alto e Melissas Aranha em couro preto, usadas com meia arrastão.

É, Alexandre Herchcovitch parece estar se despedindo de sua fase underground. Ele veio com uma coleção luxuosa, cuja riqueza de detalhes ele foi buscar foi buscar no Leste Europeu, na Georgia e na Armênia. Seu desfile é uma homenagem ao diretor Sergei Paradadjanov, que retratava o folclore e a cultura destes povos.

Os looks são preciosos, com inspiração em elementos folk e nas mulheres do leste europeu: casacos em tecidos nobres, saias e vestidos de elaboração sofisticada, cheios de babados e plissados, e sempre com as mangas bufantes. A preciosidade também se fez presente nas cores e nos brilhos, com correntes e cristais, além de muita, mas muita pedraria mesmo. E nas peles!

Elementos que fazem parte de sua referência não ficaram de fora, e são percebidos na inserção dos xadrezes, na estamparia, nas correntes (feitas de madeira) e no corte austero de algumas  peças. As peças são casacos curtos de pontas assimétricas, saias godês, vestidos de gola alta e jaquetas; há , ainda, bermudas e calças. E tudo com renda e pedras coloridas!

Destaque para os acessórios para a cabeça, riquíssimos, os visons, os colares e pulseiras. Uma bela coleção, que apostou ostensivamente no luxo.

Trazendo a top americana Chanel Iman como destaque, Alexandre Herchcovitch estreou à frente da Rosa Chá. Buscou dar uma nova roupagem à marca: roupa de mergulho com ar de lingerie, foi o que mostrou Herchcovitch, dando ar sexy às peças graças às rendas e aos paetês bordados delicadamente.

A coleção compõe-se de maiôs, biquínis e bodies em tons de pele, com estampas de renda, patchwork de tule e uma estampa abstrata do mar, tudo com acabamento super caprichado. Aliás, a renda vem também utilizada como ombreira. As peças apresentam uma infinidade de recortes, apliques,  brilho de cristais. A cintura alta é marcada por um cinto fino em quase todas as peças e a cartela de cores mantém o nude (onipresente no verão 2010), aliado ao rosa chá e lilás clarinho, além do preto.

Além da moda praia (ou lingerie, como queira), a Rosa Chá colocou na passarela vestidos, saias e paletós, enfeitados com nós.

Marcela Calmon e Renata Salles foram atrás da história de Frankenstein para montar a coleção do inverno 2010 da Filhas de Gaia.

Infelizmente cairam num déjà vu: Nicolas Ghesquiere já fez para Balenciaga, Alexandre Herchcovitch já fez, Gloria Coelho também já fez, além das próprias estilistas, que também já tinham feito as tais peças estruturadas, tridimensionais. O mundo fashion está cansado dessa silhueta, já mostrada tantas e tantas vezes!

As estampas florais eram bonitas, mas ficaram com cara de antigas diante da estruturação das peças, bem como do material encorpado, das saias tipo ampulheta (que, inclusive, já tinham aparecido no verão). Entraram na passarela o azul bem forte e o tom de pele, em vestidos retangulares, curtos e ajustados, com tiras de tecidos super rígidos, que até que não eram de todo mal. Veio até mesmo uma transparência em um vestido, que até que se saiu bem.

 

Temperatura subindo, verão chegando… praia, mar, muito sol…

Mas você não precisa esperar seus dias de dolce fare niente para tirar do armário os maiôs! Eles estão invadindo o espaço urbano de tão lindos e sofisticados que ficaram. O design está cada vez mais elaborado, a modelagem mais caprichada, tecidos diferenciados!

Eles são drapeados, construídos por moulage, plissados, milimetricamente arquitetados. Têm ares de couture para Lenny, Água de Coco, Luiza Bonadiman, Adriana Degreas, Jo de Mer. Até a Rosa Chá, agora sob as batutas de Alexandre Herchcovitch, está mais apurada, bem como a Cia. Marítima, que se inspirou em Versace na última coleção.

E como usar? Como adentrar escritórios, restaurantes e baladas? Os maiôs fazem bons pares com pantalonas, saias nos mais diversos comprimentos, shorts, blazers, cardigans…

Mas atenção: o maiô mostra as curvas, delineia o corpo, então é preciso ter bom senso. A peça “cola” no corpo, marca a cintura, tem mil e um recortes diferentes, o que acaba trazendo uma “pegada” sensual à peça. Além dos drapês, que agregam volume ao visual! Ou seja, é preciso que você esteja segura de que o local e a hora em que será usado são coerentes com a peça. E não dá para ter pneuzinhos “pulando”…

Inspire-se!!!

 

 

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